Em eventual segundo turno, Lula cresce mais que Bolsonaro nos grupos favoráveis a Ciro e Tebet
O presidente Jair Bolsonaro (PL) chega à última semana de campanha com o desafio de encontrar meios de evitar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença a eleição já no primeiro turno. Mas a pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra que, mesmo sendo necessária uma segunda votação, Bolsonaro consegue avançar menos que Lula na maioria dos segmentos do eleitorado sem os demais adversários no páreo.
Nos grupos em que os candidatos Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) reúnem maiores percentuais de intenção de voto no primeiro turno, Bolsonaro cresce até cinco pontos percentuais em uma disputa direta com Lula. Já o ex-presidente avança no mínimo sete pontos nesses estratos.
O Norte do país é um exemplo dessa situação. Na região, que reúne 12,5 milhões de eleitores, Ciro e Tebet têm juntos 16% das menções no primeiro turno. É onde, numericamente, os dois candidatos alcançam o melhor resultado. Lula tem 42% das intenções de voto no Norte e sobe para 50% em uma simulação de segundo turno contra Bolsonaro. Já o candidato à reeleição passa de 36% no primeiro turno para 41% em uma segunda votação.
A margem de erro específica da pesquisa para a região é estimada pelo Datafolha em seis pontos percentuais. Isso significa que Lula consegue expandir o número de apoiadores no Norte de um turno para o outro, enquanto Bolsonaro fica estacionado, apenas oscilando dentro dessa margem de erro.
O mesmo acontece no grupo de eleitores que têm ensino superior. Ciro e Tebet, de novo, somam 16% dos votos no primeiro turno nesse estrato. Bolsonaro têm a preferência de 38% do grupo, e chega a 42% em eventual segundo turno contra Lula. O ex-presidente avança nove pontos percentuais nesse segmento entre uma votação e outra: vai de 39% para 48%.
Os dados mostram a efetivação da preferência dos eleitores de Ciro e Tebet por Lula em relação a Bolsonaro. Segundo o Datafolha, 38% do grupo que declara apoio ao candidato do PDT vê no ex-presidente sua segunda opção de voto. Esse percentual é de 34% entre os eleitores de Tebet. Já Bolsonaro é visto como alternativa por 18% dos “ciristas” e pelo mesmo percentual dos eleitores da senadora.
De olho em uma vitória já no próximo domingo, a campanha de Lula reforçou o discurso pelo chamado “voto útil”. O ex-presidente ganhou nesta semana o apoio de ex-candidatos ao Planalto e também de alguns expoentes do PDT, partido de Ciro Gomes. O ex-ministro subiu o tom contra Lula por causa das investidas da campanha petista para demover seus apoiadores.
Bolsonaro bate no teto
Mesmo nos segmentos em que Bolsonaro lidera em intenções de voto no primeiro turno, o presidente consegue avançar menos que Lula caso a eleição vá para uma segunda rodada. A exceção são os evangélicos, grupo que tem forte identificação com o mandatário e que foi alvo de diversas ações da campanha do candidato, tendo a primeira-dama Michelle Bolsonaro como um de seus trunfos.
Os eleitores mais ricos exemplificam as dificuldades de Bolsonaro em ir além do patamar que já atingiu. O presidente tem 46% das intenções de voto do grupo que ganha de cinco a dez salários mínimos por mês. Em eventual segundo turno, chega a 50%. Já Lula é escolhido por 35% dessa parcela da população no primeiro turno e sobe para 44% em uma segunda votação.
Entre quem ganha mensalmente valores ainda maiores que dez salários mínimos, Bolsonaro passa de 45% das menções para 49% entre um turno e outro. Lula, por sua vez, vai de 35% para 43%.
O Datafolha entrevistou presencialmente 6.754 eleitores de todo o país entre os dias 20 e 22 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos. Está registrada na Justiça Eleitoral com o código BR-04180/2022.
