Messi coloca título da Copa à prova para fazer valer favoritismo contra Benzema e Mbappé no Fifa ‘The Best’
Messi disputa o prêmio de melhor do mundo masculino com os franceses Karim Benzema, do Real Madrid, e Kylian Mbappé, do PSG. Para a imprensa internacional, é a premiação mais aberta desde 2006, apesar do favoritismo para o argentino, que tirou o seu país de uma fila de 36 anos sem conquistar uma Copa do Mundo — vencendo a França na decisão. Simbólico, mas algo que não é necessariamente decisivo.
Isso porque foi o próprio Messi quem ajudou a acabar com a teoria de que ser campeão mundial basta para ser eleito o melhor do mundo, o que era quase uma “regra” antes do The Best. Romário (1994), Zidane (1998), Ronaldo (2002) e Cannavaro (2006) venceram a Copa e levaram a premiação mundial da Fifa.
A partir de 2008, Cristiano Ronaldo e Messi passaram a monopolizar a premiação, e vencer a Copa deixou de ser sinônimo de ser eleito o melhor do mundo. Em 2010, a Espanha conquistou o Mundial amparado no grande desempenho de Xavi e Iniesta, que até foram finalistas do Bola de Ouro, mas Messi foi o eleito por suas atuações no Barcelona. Essa edição também gerou polêmica porque, para os críticos, Wesley Sneijder deveria ter ficado com o prêmio por ter faturado a Liga dos Campeões com a Internazionale-ITA e ser finalista na Copa do Mundo da África do Sul.
Quatro anos depois, coube à Alemanha ficar com o título no Mundial do Brasil e o goleiro Manuel Neuer aparecer como grande favorito. O vencedor foi Cristiano Ronaldo, então no Real Madrid, que também faturou a Liga dos Campeões naquele ano.
No ciclo seguinte, a Copa do Mundo da Rússia foi conquistada pela França e Antonie Griezmann apareceu como candidato por aliar seus feitos da seleção com os do Atlético de Madrid. O eleito foi Luka Modric, campeão da Liga dos Campeões com o Real Madrid e que acabou sendo vice-campeão mundial.
Além deste cenário, a atual premiação é considerada a mais aberta por dois fatores: Messi, Mbappé e Benzema têm méritos diferentes para estar na disputa.
O argentino tem a Copa do Mundo como diferencial, algo que era regra até 2006. Mbappé, no entanto, é de longe quem teve os melhores números da temporada. No período de avaliação estipulado pela Fifa (de agosto de 2021 a dezembro de 2022), ele vence em gols marcados (77 contra 56 de Benzema e 45 de Messi), minutos para participar de um gol (65 contra 77 e 80, respectivamente) e mais jogos disputados (83 contra 68 e 74). Individualmente, é quem foi melhor, mas faltaram grandes conquistas.
Isso Benzema tem de sobra. No Real Madrid, teve desempenho melhor que Messi e Mbappé no PSG. Tanto que já foi eleito o melhor do mundo pela France Football. No entanto, a revista francesa não contou a Copa do Mundo para a sua avaliação. Assim, o caminho ficou fácil para o astro, que ajudou o clube espanhol na conquista de mais uma Liga dos Campeões e do Campeonato Espanhol.
Numericamente, não há três grandes candidatos com chances reais de vencer a premiação desde 2006. Naquele ano, tudo indicava que Zinedine Zidane seria o vencedor. Mas a sua expulsão na final da Copa do Mundo ao agredir o zagueiro Materazzi gerou uma espécie de boicote à sua eleição. Então campeão mundial, o zagueiro Fábio Cannavaro ficou com o prêmio.
Além de Zidane e Cannavaro, outros dois nomes favoritos a vencer eram os de Ronaldinho e Thierry Henry. O brasileiro tinha a seu favor a conquista continental com o Barcelona, enquanto o francês possuía números assombrosos na época. Eles ficaram em terceiro e quarto lugar, respectivamente.
Desde então, todas as disputas abraçavam dois grandes nomes ou uma unanimidade. Três, como em 2023, é algo pouco comum de se ver.
Entre as mulheres, o prêmio de melhor do mundo ficará entre Beth Mead (Arsenal), Alex Morgan (San Diego Wave) e Alexia Putellas (Barcelona).
A britânica Mead anotou seis gols e foi artilheira e melhor jogadora da Euro 2022, levando a Inglaterra ao título. A americana Morgan fez 15 gols em 17 jogos pelo seu time e foi campeã da Concacaf 2022 com os EUA. A espanhola Putellas é a atual vencedora do The Best, e levou o Barcelona ao título nacional e à final da Champions.
A cerimônia também premia o melhor goleiro, a melhor goleira, o melhor técnico no futebol masculino, o melhor técnico ou a melhor técnica do futebol feminino e o gol mais bonito no Prêmio Puskás. O Brasil está representado por Richarlison, que concorre com o gol de voleio marcado diante da Sérvia, na Copa do Mundo de 2022. Os concorrentes são Dimitri Payet e Marcin Oleksy.
